21/01/2014

Heitor responde.

E eu recebi um email questionando algumas coisas.
Não respondi, achei melhor publicar, assim já fica respondido pra outras pessoas também.

- Não, eu não sou um viciado em sexo, sou apenas um profundo apreciador.
Já passei longos períodos sem ter qualquer atividade sexual, nem mesmo masturbação. E fiz isso por escolha pessoal. Penso que seja lá qual for o interesse, uma pessoa pode compreender ainda mais sobre o “assunto” quando se priva do mesmo. A “saudade”, digamos assim, permite uma visão diferenciada e tudo pode se aprofundar ainda mais na questão do entendimento.
Por mais banalizado que esteja, o sexo é uma condição do nosso lado animal e se em algum momento o sexo se tornar totalmente “comum” nos assuntos e tratamentos, a maioria dos conceitos que regem a nossa sociedade vai cair por terra.
No tempo em que as coisas eram ainda mais “permitidas”, quando haviam grandes orgias e tudo mais, não haviam tantos bloqueios quanto hoje. A sociedade mudou e como ela todo o restante se adaptou. O sexo e a sexualidade, infelizmente, foram diminuídos!
Escrevo sobre sexo e sexualidade como um “escape” de um sistema que não me agrada por me limitar, mas sou uma pessoa tão comum quanto qualquer outra. Olhando, você jamais diria que sou tão promiscuo, não por eu me esconder, mas por saber respeitar algo que eu simplesmente aprecio.

- Também não considero uma mulher viciada em sexo como uma mulher doente.
Apensar da “frustrante” caracterização que a sociedade impõe sobre ninfomaníacas, considerá-las doentes é algo sim doentio. Tanto que o termo masculino para ninfomaníaca dentro da nossa sociedade machista é simplesmente HOMEM. Ninguém diz ninfomaníaco, todos dizem que homem só pensa em sexo e eu jamais desmentiria isso, mas penso que classificar uma mulher que tenha tantos desejos quanto qualquer homem é uma espécie de preconceito, pois estas simplesmente não foram totalmente adestradas pelos muitos conceitos hipócritas de uma sociedade que continua enaltecendo a classe masculina e configurando as mais diversas “defesas” para a classe feminina a fim de deixar bem claro que elas são “indefesas”.
Quanto a filme Ninfomaníaca, achei muito triste a ideia passada de que uma mulher viciada em sexo busca no prazer uma tentativa de se privar das frustrações. A busca do prazer foi totalmente excluída com a frase “Eu não sinto nada” no final do filme. Espero que a segunda parte não seja assim tão medíocre.
No contexto sexual, doente pra mim é quem transa sem sentir vontade, quem transa por obrigação ou para agradar o outro simplesmente, estupradores, pedófilos... estes sim são doentes!

- Não, eu não acho que o mundo vai se tornar bissexual no futuro. Acho que o mundo vai virar uma zona, mas absolutamente sem definição. O que é muito triste!
Na verdade eu sequer gosto dessas definições sexuais. Comecei a reparar o desespero da sociedade ao tentar reviver a liberdade sexual, quando as festas gays deixaram de ser GLS para se tornarem LGBTTTs. Nesse ritmo, em pouco tempo usarão todo o alfabeto numa sigla que identifique as muitas “vertentes” sexuais.
Penso que isso é negativo por estar acontecendo do modo errado, não gosto das definições por elas estarem sendo adquiridas do modo errado, perdendo completamente o sentido por serem tentativas de forçar uma aceitação desnecessária.
Sexo é descoberta, o corpo inteiro é um órgão erógeno, o prazer pode surgir de muitos modos, basta curiosidade e ação.
Nos últimos dez anos, muitos deixaram a curiosidade sincera de lado para se empenharem em descobertas influenciadas por um tipo de modismo oferecido pelo sucesso de alguns “personagens”. Houve um numero muito grande de pessoas conhecidas declarando sua sexualidade “secreta”.
Num país onde a ausência de conteúdo é tão evidente, muitos deixaram-se levar pela aparente coragem dessas pessoas e colocaram-se num “campo de batalha” irreal fingindo adquirir um senso de rebeldia contra as muitas negações da própria sociedade.
Filhos frustrados e oprimidos tentaram afetar seus pais e suas famílias assumindo-se homossexuais. Pessoas que sempre foram alvo de chacota assumiram-se na tentativa de dizer que não sentem mais medo. Muitos seguiram a “vibe” de algumas companhias. E tudo foi crescendo de um jeito tão desordenado, que a variedade sexual tornou-se um “estilo”.
Sexo é contato... as chances de gostar de algo novo são muito grandes e não acho errado que muitos tenho gostado do que provaram, mas a falta do desejo sincero e natural faz tudo ser apenas um castelo de areia numa praia.
Encontre um homossexual “legitimo”, homem ou mulher, que realmente tenha uma sexualidade definida por sua própria natureza e questione sobre isso, com certeza a resposta não será tão diferente da minha.
E quanto a mim, não sou bissexual. Sou sexual!
Já fiz muita coisa na minha vida, mas hoje tenho alguns “bloqueios” em virtude das tentativas esdrúxulas de algumas pessoas. Algo que acontece também pela falta de sentido da sexualidade atual da nossa sociedade, que infelizmente leva às mentes menos entendidas que todo mundo está aberto a tudo só porque o sentido de tudo se perdeu.
A pior parte de toda essa vergonhosa banalização desesperada dos conceitos sexuais é que muitos não levam em conta a conquista do desejo, mesmo que efêmera, e tentam se aproveitar da situação caótica do momento.

- Não, não sou sado masoquista, mas sim, sei ver o prazer em tudo isso.
Como eu disse no texto anterior a este, a dor é uma reafirmação.
Apesar de evitarmos a dor de todas as formas possíveis, existe um momento em que a dor é algo delicioso. Um instante veloz entre o cérebro perceber a transgressão e enviar os sinais para o corpo e a consciência. Nesse pequeno instante, a dor é uma delícia!
Durante o sexo, quando a pessoa se entrega completamente ao momento, tudo é uma transgressão contra o corpo. O prazer que sentimos é simplesmente um mix de tato e química que tem como objetivo nos fazer gostar do ato para que continuemos a propagar a espécie.
Se não fosse o prazer, nós deixaríamos de transar por conta de todo esse avanço intelectual.
É fato comprovado que o homem torna-se menos dependente do sexo enquanto adquire maior condição intelectual.
O sexo é uma representação do nosso lado animal, se tornarmo-nos intelectuais de mais e o prazer sexual não existir, deixaremos de nos relacionar em virtude do estresse que é manter um relacionamento e trocaremos o sexo por livros.
Numa relação masoquista, o prazer é algo extremo. A dor física e o prazer sexual, unem-se de um modo que é quase impossível ser definido e penso que é por medo e amor próprio que as pessoas não se ferem enquanto transam.
Mas pense em como sofre uma vagina ao receber o pênis e como sofre o pênis ao penetrar uma vagina. Sofrimento aplacado pelo prazer que é praticamente químico!
Todos nós somos masoquistas, o que nos difere é simplesmente o nível de agressões que causamos e gostamos de sentir!
É o tipo de coisa que deve ser natural, começa aos poucos, precisa ter respeito e controle, mas pode oferecer um prazer absurdo quando bem aplicado.

- Não, eu não sou casado.
- Não, eu não sou uma mulher fingindo ser um homem.
- Sim, eu sou um tarado assumido.
- Sim, já fiz sexo virtual: webcam, telefone, bate papo, aplicativo de celular...
- E não, não me incomodei com seu email, mesmo com tantas perguntas. Demorei pra entender como você tinha conseguido o endereço, mas isso não me incomoda. A educação em que você se apresentou fez toda a diferença.
E se quiser saber de mais alguma coisa, pode perguntar, não tenho problemas em responder.
Espero ter esclarecido tudo.

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